Terça-feira, 8 de Abril de 2008

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O ENVELHECIMENTO NA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO

António Joaquim Esteves*

José Madureira Pinto*

 

1. INTRODUÇÃO

 

 O envelhecimento populacional é considerado hoje um fenómeno central das sociedades europeias e não menos central no debate político sobre a necessidade de reconversão dos Estados-Providência e a sustentabilidade das formas de Segurança Social. Neste duplo plano, Portugal não constitui excepção. De facto, nas últimas décadas, verifica-se que, no nosso País, tem aumentado significativamente a proporção de idosos na população: de 8% de indivíduos com 65 e mais anos em 1960, passa-se, em 1991, para 13.6%; de 2.7% com 75 e mais anos em 1960, passa-se, em 1991,para 5.4%. A controvérsia recentemente gerada entre nós em torno do Livro Branco da Segurança Social mostra, por outro lado, que o problema está inscrito de forma irreversível na agenda política nacional.

 

Tal como acontece com tantos outros fenómenos, também no envelhecimento as assimetrias regionais são, em Portugal, profundas: enquanto nas regiões do Ave, Tâmega e Entre Douro e Vouga, a proporção de indivíduos com 65 e mais anos era, segundo o Recenseamento Geral da População de 1991, um pouco inferior a 10% (e, portanto, significativamente mais reduzida que o correspondente valor nacional: 13.6%), já nas regiões do Baixo Alentejo, Alto Alentejo, Beira Interior Norte, Beira Interior Sul, Pinhal Interior Norte e Pinhal Interior Sul - envolvendo nada menos do que 59 municípios - a referida proporção ultrapassava sempre os 20%, atingindo mesmo, no último caso, 25.6%. Na Área Metropolitana do Porto o estudo evidencia que este fenómeno tem maior expressão no concelho do Porto (14.8%), em contraste com o contexto de Valongo (7.1%), a par de uma relativa homogeneidade nos restantes concelhos ( 9 % e 10% ).

 

publicado por 12b_verdes às 15:01
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1 comentário:
De Zé da Burra o Alentejano a 29 de Maio de 2008 às 16:46
A baixa natalidade e envelhecimento da população não é uma característica nova dos países desenvolvidos, com melhor nível social, acontece na Alemanha, em França, no Luxemburgo, EUA, Austrália, etc....; ao invés nos países subdesenvolvidos, a natalidade é muito alta e também a pobreza.

Nos países desenvolvidos, os cidadãos desejam ter filhos mas querem sobretudo proporcionar-lhes um nível de vida igual ou superior ao seu, o que é cada vez mais difícil: 1.º) o emprego chega cada vez mais tarde e é precário, por isso as famílias constituem-se mais tarde e têm menos filhos e mais tarde também por isso; 2.º) as despesas com as crianças são muito grandes e durante muitos anos, entretanto há que criá-las, prestar-lhes cuidados de saúde, lazer, fornecer-lhes a formação para poderem sobreviver nesta “selva” competitiva. Os pais responsáveis pensam na preparação que poderão dar aos seus filhos e a escolaridade básica não chega para poderem aspirar a um nível de vida aceitável. As classes muito baixas não têm consciência ou não se preocupam com isso e têm mais filhos, o que lhes trás algumas vantagens imediatas em termos de abonos de família e outros. Vantagens que são insuficientes para aliciar um cidadão mediano.

A baixa natalidade pode ser e é facilmente compensada com a aceitação de imigrantes. Portugal tem nessa área uma larga experiência e também já cerca de 1 milhão de imigrantes (legais e outros). Poderá receber mais se o desejar. A reposição da força de trabalho com recurso aos nossos filhos, embora louvável, implica um investimento de vinte e tantos anos: entretanto, tanto os pais como o país terão que prestar-lhes cuidados vários: alimentação, vestuário, lazer, saúde, educação e formação profissional. Quanto aos trabalhadores imigrantes, esses custos foram suportados pelos seus pais e pelos países de origem, por isso, vêm prontos para trabalhar e, só por isso, ficam mais económicos ao país de acolhimento. Além disso, como os imigrantes se sujeitam a piores condições de trabalho e a salários mais baixos, ajudam a aumentar a competitividade do país, i.e., forçam a baixar os salários. Muitos dos imigrantes nem vão esperar por qualquer reforma, porque pretendem apenas amealhar uns milhares de euros, regressar aos seus países, trocá-los por moeda local, com ganhos cambiais, para construírem então o seu futuro nos países de origem.

Portugal já tem uma alta taxa de desemprego, por isso, porque é devemos ter mais filhos? Assim, a “fraca natalidade” apenas serve para justificar o aumento da idade das reformas, por forma a que os contribuintes não cheguem a beneficiar dos descontos feitos durante toda a vida, porque muitos deles morrem antes. Perversa forma de gerir a Segurança Social!

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